"É PRECISO QUE O NOSSO SANGUE SE INFLAME
E QUE NOS INCENDIEMOS
PARA QUE OS ESPECTADORES SE COMOVAM
E O MUNDO ABRA ENFIM OS OLHOS NÃO SOBRE NOSSOS DESPOJOS
MAS SOBRE AS CHAGAS DOS SOBREVIVENTES."
Todos nós conhecemos a fome, principalmente aquela derivada da sensação de "vazio no estômago". Ou ainda, como o conjunto de sensações provocadas pela privação de nutrientes que impelem o ser humano e outros animais a procurar os alimentos e que cessam com a ingestão destes.
Entretanto, a fome que irei falar se trata da situação em que pessoas e populações ainda sofrem de forma duradoura, de insuficiência de alimentação em quantidade e/ou qualidade que lhe forneçam as calorias (energias) e os elementos nutritivos necessários á vida e á saúde do seu organismo.
Entretanto, a fome que irei falar se trata da situação em que pessoas e populações ainda sofrem de forma duradoura, de insuficiência de alimentação em quantidade e/ou qualidade que lhe forneçam as calorias (energias) e os elementos nutritivos necessários á vida e á saúde do seu organismo.
A expressão FOME nesse sentido passou a ser mais utilizada, a partir dos estudos de Josué de Castro, nos anos de 1940. Seus trabalhos levantaram questões sociais, políticas e econômicas que envolvem a problemática da fome e a sua existência em escala planetária. Até então, os estudos da desnutrição e subnutrição estavam circunscritos à área médica.
Ao utilizar a expressão FOME para referir-se a essa situação vergonhosa e escandalosa que aflige multidões em todo o mundo, Josué de Castro foi criticado e censurado por aqueles que desejavam que se falasse em desnutrição e subalimentação e não em fome. Achavam o termo muito forte, contundente, incômodo ou, pelo menos, pouco aconselhável de ser tratado publicamente. Afinal, os estudos de Josué de Castro eram uma firme denúncia às injustiças criadas pelo sistema capitalista em seus cinco séculos de existência. Sistema que ainda continua a privar multidões em todo o mundo do direito mais fundamental que é o de alimentar-se adequadamente.
E morrem num mundo onde há alimentos para todos, onde somente a produção de cereais, segundo a FAO, seria suficiente para proporcionar a todos uma dieta adequada.
A desnutrição abre as portas do organismo para várias enfermidades: desidratação, coqueluche, sarampo, peneumonia, tuberculose, disenteria etc. Entre as crianças bem alimentadas, essas doenças raramente causam a morte, mas à medida que a desnutrição progride os índices de óbitos se elevam assustadoramente. Diariamente, em todo o mundo subdesenvolvido, milhões de vidas são interrompidas pelo flagelo da fome. Sem resistência orgânica, as crianças desnutridas morrem."De modo geral, as ultimas gerações de brasileiros não ouviram falar de Josué de Castro. Médico, sociólogo, geógrafo, nasceu em Pernambuco em 1908. Desde cedo, teve suas preocupações voltadas para a questão da fome no Brasil e no mundo em 1946, publicou Geografia da fome, livro que foi um marco importante no estudo e no desnudamento dessa triste realidade. Após esse, vieram muitos outros, como Geopolítica da fome e O livro negro da fome. Seus livros foram traduzidos em mais de 25 idiomas e reconhecidos como contribuições importantíssimas para o estudo das causas da fome ou de suas implicações sociais, econômicas e políticas. Foi fundador e membro de várias organizações nacionais e internacionais ligadas á questão da fome. Ocupou a presidência da FAO, de 1952 a 1956. Em 1964, quando embaixador do Brasil nos Orgãos das Nações Unidas em Genebra, teve seus direitos políticos cassados pelo regime aoutoritário instalado no Brasil, com o golpe de Estado desse ano. Faleceu em 1973, na França, onde se encontrava exilado, mas em plena atividade docente na Universidade de Paris."
Josué de Castro
E morrem num mundo onde há alimentos para todos, onde somente a produção de cereais, segundo a FAO, seria suficiente para proporcionar a todos uma dieta adequada.
"A fome não é um fenômeno natural e sim um produto artificial de conjunturas [estruturas] econômicas defeituosas: um produto de criação humana e, portanto, capaz de ser eliminado pela vontade criadora do homem."
Mais de 800 milhões de pessoas vão dormi, todas as noites, sem ter ingerido os alimentos necessários à manutenção da saúde: cerca de 791 milhões nos países subdesenvolvidos e 34 nos países do Norte. Do total de mais de 800 milhões, a FAO calcula que 200 milhões são crianças, e onze milhões delas morrem anualmente por causas relacionadas á desnutrição ou de doenças delas decorrentes. A cada dia, mais de 3 mil crianças morrem no mundo de malária, ou paludismo. A maioria dessas crianças poderia ser salva se elas tivessem as condições mínimas de alimentação e os cuidados sanitários básicos.
O número de pessoas no mundo com sobrepeso já supera o das pessoas desnutridas. A OMS considera a obesidade como uma "epidemia do século XXI". Estima-se que ela abranja cerca de 1,2 bilhão de pessoas_ cerca de 20% da população mundial_ cuja grande maioria se encontra nos países ricos. Enquanto essas pessoas correm graves riscos de saúde_ diabete, doenças cardiovasculares etc. _ pela ingstão exagerada e inadequada de alimentos, outras passam fome, têm subalimentação. É um mundo de abundância exagerada para alguns e de escassez extrema para muitos. Tanto a face da opulência como a da miséria reinante mostram a irracionalidade humana, ainda mais quando se sabe que é possível tornar a vida um banquete para todos.
Resumo que fiz do livro: A fome: crise ou escândalo?, Cap. 1. de Melhem Adas.


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